Na minha opinião a Governança é o pilar que estrutura as práticas de ESG – (Ambiental, Social e Governança Corporativa), sendo a base para garantir transparência, ética, diversidade e responsabilidade nas decisões e operações de uma empresa, indo além do lucro.

Creio que o principal componente da governança corporativa deveria ser a saúde mental dos colaboradores (capital humano), pelo fato de ser o mais importante fator de produção.

Por muito tempo, o bem-estar psicológico foi tratado como pauta periférica — majoritariamente ligado ao RH, à cultura interna e à gestão de pessoas — com um enquadramento quase terapêutico e, muitas vezes, paternalista. O que está ocorrendo agora é uma transição para um enquadramento financeiro, estratégico e regulatório, no qual saúde mental passa a ser tratada como variável de risco, componente de valor para investidores e elemento de sustentabilidade corporativa no sentido amplo do termo.

O primeiro vetor dessa mudança vem da mensuração de risco operacional: burnout, rotatividade, presenteísmo e afastamentos por doença mental têm impacto direto em produtividade, continuidade operacional e custos trabalhistas. Ao serem quantificados, deixam de ser tratados como “soft issues” e entram em frameworks clássicos de gestão de risco.

A saúde mental deveria ser mensurada na dimensão “S” (social) através dos 4 pilares, frequentemente definidos como as dimensões Física, Emocional, Cognitiva e Social, que, juntas, formam a base para o bem-estar integral, cuidando do corpo, das emoções, da mente e das relações humanas para uma vida equilibrada e com propósito.

Os distúrbios mentais são, de fato, uma das principais causas de incapacidade global, com a depressão e a ansiedade resultando em uma perda de produtividade estimada em quase US$ 1 trilhão anualmente para a economia mundial, de acordo com dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) e da OIT (Organização Mundial do Trabalho) . Esse alto custo indireto afeta significativamente o ambiente corporativo, com cerca de 12 bilhões de dias de trabalho perdidos por ano.

A ISO N 45003:2021 é a primeira norma internacional voltada exclusivamente para a gestão de riscos psicossociais no ambiente de trabalho. Em vigor desde julho de 2021, ela fornece diretrizes específicas para identificar, avaliar e controlar fatores que podem impactar a saúde mental dos colaboradores.

Esta ISO ajuda a integrar relatórios de sustentabilidade, monitorar burnout, oferecer apoio psicológico, habilitar líderes para escutar ativamente os colaboradores.

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