Razões da insuficiência de poupança.

As taxas de crescimento do PIB brasileiro estão baixas muito em função ao baixo investimento que reflete nossa insuficiência de poupança.

No Brasil, as taxas de poupança das famílias, empresas e governo são de 5%, 15% e -4% respectivamente em relação ao PIB. Na China são da ordem de 22,5%, 22,5% e 5% respectivamente.

Do ponto de vista estritamente econômico, a poupança é a renúncia ao consumo presente em favor ao consumo futuro. Os indivíduos adaptam seu perfil de consumo ao longo de seu ciclo de vida, transferindo renda entre períodos de tal forma a manter um padrão mais estável de consumo no futuro. Os termos em que essas transferências são feitas são ditadas pelas taxas reais de juro na economia: quanto maiores essas taxas, maior é o prêmio pelo consumo futuro, ou seja, maior é a poupança corrente.

Atualmente com uma taxa básica de juros situada em 14,25% a.a. e uma inflação acumulada nos últimos 12 meses em torno de 10%, a taxa real de juros está em torno de 3,86 % a.a., ou seja, uma taxa real mensal de 0, 31%. Retirando 15% de Imposto de Renda, alíquota mínima de IR incidente em uma aplicação, a taxa real mensal fica 0,15%.

No atual cenário (Cenário I) para ter uma renda vitalícia de R$ 100,00 é preciso poupar durante 420 meses (35 anos) R$ 113,25, quanto menor o tempo de poupança maior tem que ser a poupança.

 

Tempo de Cenário I Cenário II
Poupança Aplicação Aplicação
420 R$ 113,25 R$ 37,46
360 R$ 138,85 R$ 48,84
300 R$ 174,97 R$ 65,32

 

Basta a inflação se situar em 8% a.a., a taxa real de juros passa para 5,78%, deduzindo o Imposto de Renda a taxa real mensal passa a ser 0,31%. O resultado melhora substancialmente conforme demonstrado no Cenário II.

 

Por que os juros no Brasil são tão elevados e a poupança é baixa? Uma explicação é que a taxa real de juros é baixa influenciada pelo nível de inflação.

Como a oferta de poupança doméstica é baixa, então a taxa de juros tem que ser elevada para, por um lado, desestimular a demanda por fundos emprestáveis (basicamente a demanda de investimento) e, por outro lado, atrair poupança externa para aumentar a oferta de fundos.

Em 2014 o déficit em conta-corrente no balanço de pagamentos foi de 4,5% do PIB substituindo a desenvestimento do governo.

A primeira medida para corrigir este cenário é a restauração da capacidade do governo poupar, através da redução de suas despesas correntes. Isso equivaleria a substituir despesas correntes por despesas de investimento. Essa medida contraria as políticas adotadas nos últimos dez anos, que privilegiaram o consumo ao invés da poupança e do investimento, embaladas pelo boom da economia mundial. A partir de 2011, entretanto, o cenário internacional inverteu-se a insistência do governo em mantê-las só tende a perpetuar o estado de estagnação em que a economia brasileira mergulhou nos dois últimos anos.

 

Razões da insuficiência de poupança.
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