Na crise deflagrada inicialmente no EUA pelas subprimes e posteriormente espalhada para o resto do mundo, as soluções propostas sempre envolvem a participação do governo para socorrer empresas ou instituições financeiras com problemas econômicos e financeiros.

Tem-se visto políticas de aumento de gastos públicos como forma de promover mais crescimento, minimizando assim o impacto da crise.

Os projetos americanos divulgados recentemente pelo presidente Obama e em outros países ampliam o déficit público e priorizam o social.

Nesta crise o economista Keynes foi lembrado diversas vezes, e é bom recordar que ele enfatizava a demanda por investimento como alavanca para promover crescimento no emprego, ou seja, seria possível estimular o investimento privado por meio de créditos tributários ao investimento existente ou de subsídios a novas empresas e novas contratações.

As ideias defendidas por Keynes retiraram os norte-americanos de uma forte depressão econômica. Na crise de 1929, Keynes propôs que o Estado fomentasse o mercado débil, ofertasse emprego e realizasse programas sociais.

O New Deal norte-americano de Roosevelt levou ao Estado de Bem-Estar Social, que inaugurou a forma moderna do exercício público da proteção social.

O Welfare State explica como as atividades estatais se entrelaçam com o papel do mercado e da família em termos de provisão social.

Posto isso e transpondo esses problemas da crise aos demais países e especialmente ao Brasil, a liberação de recursos para ajudar empresas ou instituições financeiras, por parte do governo ou induzida através dele, deveria seguir uma cartilha de análise adequada para garantir o máximo de bem-estar social, diferentemente dos parâmetros de mercado, ou, digamos, privados.

Os principais parâmetros de mercado, ou os principais preços de mercado, são: a taxa de juros, a taxa de câmbio e os salários em termos reais, ou seja, deflacionados pelo índice geral de preços. Esses três parâmetros nos determinam o equilíbrio do mercado monetário, da balança de pagamentos e do mercado de trabalho. Isso significa dizer que se os preços, os juros, a taxa de câmbio e os salários estiverem corretos, a economia estará em equilíbrio.

Quando existem imperfeições no mercado, os preços de mercado não são preços eficientes e não refletem os valores dos recursos da economia. O preço-sombra é o preço que vigoraria no mercado se não existissem as distorções.

Preço-sombra é o preço que se atribui a um bem ou fator com base no argumento de que ele é mais apropriado para a finalidade do cálculo econômico do que o seu preço vigente. Por exemplo, o custo do trabalho que está ocioso deve ser avaliado por seu custo de oportunidade, e não por seu salário. O mesmo ocorre com a divisa e a taxa de juros.

Voltando aos principais preços da economia, nessa visão teríamos como parâmetros para garantir o máximo bem-estar social o custo de oportunidade do capital para cálculo da taxa de retorno social, o custo social da mão-de-obra e o custo social das divisas.

 

Não vamos aguardar a mão invisível, metáfora utilizada pelo pai da economia moderna e um dos mais importantes teóricos do liberalismo econômico, Adam

Smith, que cunhou a seguinte frase: “Assim, o mercador ou comerciante, movido apenas pelo seu próprio interesse egoísta (self-interest), é levado por uma mão invisível a promover algo que nunca fez parte do interesse dele: o bem-estar da sociedade.”

Resumindo, a utilização de uma análise do ponto de vista social visa dar importância ao investimento que promova desenvolvimento com o aproveitamento de recursos ociosos e o suprimento de recursos escassos. Dessa maneira, as empresas teriam um efeito multiplicador na economia com uma maior geração de emprego.

Vale a pena salientar que os efeitos da abertura comercial, bem como da política de câmbio livre, já podem ser percebidos pela tendência declinante da taxa de câmbio social, contribuindo para uma redução considerável das distorções na economia brasileira.

Como no Brasil o maior agente financiador é o BNDES, e seu principal funding são os recursos do FAT – Fundo de Amparo ao Trabalhador, nada mais justo do que esses recursos retornarem numa forma que garanta o bem-estar social, principalmente com relação à geração de emprego.

Concluindo, não temos grandes desequilíbrios na área externa, considerando que a taxa de câmbio praticada está quase igual à taxa de câmbio social; além disso, com a redução da taxa de juros esperada, teremos uma taxa custo de oportunidade menor e, portanto, uma taxa de retorno mais compatível com a taxa de retorno social. Resta, portanto, um forte trabalho em destinar recursos para investimentos que gerem emprego.

Minimizando a crise