Os estudos no campo da microeconomia partem do pressuposto de que o consumidor é racional, ou seja, o ser humano toma decisões lógicas e sensatas. Já a Economia Comportamental (do inglês, Behavioral Economics) estuda o comportamento econômico das pessoas levando em conta os diversos fatores que as in­fluenciam.

No mundo financeiro, é possível correlacionar a economia comportamental com finanças comportamentais. Desse modo, os agente econômicos (consumidores, tomadores de crédito e investidores) usam fatores sociais, cognitivos e emocionais para a tomada de decisões econômicas com seus efeitos nos preços de mercado, lucros e na alocação de recursos.

Diversos pesquisadores têm se dedicado a estes estudos. Citarei apenas três para apresentar a linha de raciocínio desta nova ciência humana.

O primeiro é Herbert Alexander Simon, economista americano agraciado com o Prêmio Nobel de Economia de 1978. Desenvolveu sua teoria baseado na psicologia cognitiva que estuda a cognição, os processos mentais que estão por detrás do comportamento. Pode-se definir cognição como a capacidade para armazenar, transformar e aplicar o conhecimento, por meio de um amplo leque de processos mentais.

O segundo estudioso é Daniel Kahneman, psicólogo e teórico de economia e finanças comportamentais. Ele combina a economia com a ciência cognitiva para explicar o comportamento aparentemente irracional da gestão do risco pelos seres humanos. Atualmente, é professor da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos. Foi vencedor, em 2002, do Prêmio Nobel de Economia, pelas suas pesquisas em Economia Comportamental, embora seja um psicólogo e não um economista.

O terceiro estudioso, Dan Ariely é professor de psicologia e economia comportamental na Universidade de Duke (EUA). Nascido em Nova Iorque, é também o fundador do The Center for Advanced Hindsight. O primeiro livro de Dan, “Previsivelmente Irracional“ aborda tópicos como relatividade, preços, custos de normas sociais, procrastinação e honestidade. Citarei um exemplo a seguir.

Relatividade – Ao se deparar com uma estranha oferta, Dan Ariely mostra que relatividade não é assunto só da Física. Para iniciar a discussão, ele utilizou a seguinte proposta comercial: assinatura da revista The Economist para acesso exclusivamente online: US$59,00. Assinatura impressa: US$125,00. Assinatura impressa e acesso à versão online: US$125,00. Ele estranhou a oferta. Por que alguém escolheria a segunda opção (somente impressa) se, pelo mesmo valor, pode ter acesso também à online?

Dan, então, fez uma enquete com seus alunos. Frente às três opções, quais escolheriam? O resultado foi o seguinte: assinatura da The Economist para acesso exclusivamente online: 16% dos alunos. Assinatura impressa: 0%. Assinatura impressa e acesso à versão online: 84%.

“Nada surpreendente”, ele pensou. Afinal, por que alguém escolheria a segunda opção? Dan foi além: se a segunda opção era, realmente, “inútil” por que mantê-la? Refez então a enquete com apenas duas opções: a primeira e a terceira.

O resultado foi o seguinte: assinatura para acesso exclusivamente online: US$59,00 – 68% dos alunos. Assinatura impressa e acesso à versão online da The Economist: US$125,00 – 32% dos alunos. Como pode haver uma mudança tão grande se a segunda oferta não tinha sido escolhida por ninguém?

Dan apresenta, então, sua primeira conclusão. É natural para o ser humano estabelecer comparações para fundamentar suas decisões. Ou seja, se há, entre as opções, duas “parecidas” tendemos a nos fixar nessas duas e estabelecer comparações entre elas, de forma que deixamos a opção que não é equiparável “de lado”. Foi o que ocorreu: “se pelo mesmo valor posso ter acesso online além do exemplar físico é claro que vou pegar a terceira opção”, pensaram os estudantes, sem ponderar a assinatura online somente.

Ariely elaborou uma lista de vieses cognitivos, sendo cada viés um padrão de distorção de julgamento que ocorre em situações particulares. Em nosso contexto, sobre o mercado financeiro, conhecemos o comportamento de manada que ocorre nas bolsas de valores. É a tendência quase irresistível, de seguir a maioria. Posto isto, podemos dizer que a prática das Finanças Pessoais passa pelo entendimento da Economia Comportamental.

Economia comportamental