ECONOMIA COMPORTAMENTAL  

INTRODUÇÃO: GESTÃO DE GASTOS PESSOAIS

Um relatório divulgado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial em setembro de 2013, ressalta que, mais da metade (56%) dos brasileiros adultos possui conta bancária, mas, em 2011, apenas 21% dos brasileiros informaram que pouparam algum dinheiro no ano anterior.

O relatório destaca a preocupação com a baixa poupança e com os riscos de endividamento, principalmente da população de baixa renda.

O relatório enfatiza que países com renda semelhante à brasileira têm o dobro do nível de poupança. Produtos de crédito expandiram-se rapidamente e se tornaram mais difundidos do que os de poupança, criando assim potencial nível de endividamento pouco saudável.

A baixa propensão a economizar e a expansão do crédito criam preocupação com o risco dos brasileiros ficarem “afundados em dívidas” e suscetíveis a choques, como perda de emprego, aumento dos juros ou desaceleração econômica.

Além de dar mais segurança aos consumidores, o aumento da poupança é recomendavel para ampliar os investimentos no país e impulsionar o crescimento econômico.

A partir das ponderações deste relatório e a constatação do Instituto Brasileiro de Geografia Ecônomica (IBGE) na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) que “85% dos brasileiros fazem compras por impulso e a maioria encerra o mês no vermelho”, vamos procurar entender como e porque devemos reverter este quadro.

ORGANIZAÇÃO DOS TEMAS

1 – Produto de Renda

2 – Dinheiro

3 – Juros

4 – Poupança

5 – Planejamento

6 – Crédito (Custo do dinheiro)

7 – Calculando a Riqueza

8 – A questão intertemporal

9 – Evitando o Risco

 

  • PRODUTO E  RENDA

Antes de avançarmos sobre a questão da gestão de gastos pessoais vamos entender um pouco como funciona a economia de um país e verificarmos qual é o melhor caminho para o individuo consumir mais e gastar menos.

A economia é uma ciência social que estuda a alocação de recursos escassos para fins alternativos.

As necessidades humanas são satisfeitas através da produção, que é a atividade social que visa adaptar a natureza para criação de bens e serviços (produto).

Como resultado o produto é a soma daquilo que foi produzido em um país durante determinado período de tempo.

Simplificadamente as famílias são as proprietárias dos fatores de produção (trabalho, capital e terra) que as vendem em troca de renda (salários, lucros, juros e alugueis) para consumirem bens e serviços. Por outro lado as empresas adquirem estes fatores de produção das familias para combiná-los e gerar uma oferta de bens e serviços, ou seja, as empresas são responsaveis pela produção e as famílias pelo consumo (Quadro 1).

 

 

Para produzir é necessário investir na aquisição de bens de capital, bens de produção ou intermediários, que visam aumentar a oferta de produtos e serviços. Nas contas nacionais toda compra de máquinas, equipamentos, edificios e acúmulo de estoques são considerados investimento.

Para que o investimento ocorra, nem toda a renda pode ser consumida, uma parcela da renda das familias deve ser poupada. Esta poupança deve ser transferida as empresas de  modo que estas possam adquirir bens de capital. Esta transferência de recursos é feita através do Sistema Financeiro que, juntamente com o Mercado de Capitais cumprem o papel de captar recursos dos poupadores e transferi-los aos investidores.

 

  • DINHEIRO

Para viabilizar estas transações de compra, venda, poupança e investimento, é necessário um meio de troca homogeneo, aí surge a necesidade do dinheiro.

O dinheiro é o meio usado na troca de bens, na forma de moedas ou notas (cédulas), usado na compra de bens, serviços, força de trabalho, divisas estrangeiras ou nas demais transações financeiras. O dinheiro é emitido e controlado pelo governo de cada país, no caso brasileiro o Banco Central do Brasil (BACEN) é o orgão responsável pela condução da politica monetária através dos instrumentos disponiveis no controle da oferta de moeda.

A moeda permite a separação temporal entre o ato de venda e o de compra, isto faz com que a moeda tenha três funções básicas: unidade de conta, meio de troca (motivo transações) e reserva de valor. Quando consideramos a moeda como reserva de valor, o indivíduo tem basicamente dois motivos para demandar moeda: a precaução (ter segurança diante das incertezas do futuro) e a especulação ( aguardar o melhor momento para comprar titulos que permitam rendimentos futuros). Este ultimo motivo , nos remete à definição do rendimento como sendo os juros pagos pela aplicação de um capital.

 

  • JUROS

A taxa de juros é o prêmio pela renuncia ao consumo presente em favor do consumo futuro.

A taxa de juros reflete o preço pago pelo sacrifício de poupar, ou seja, trocar o consumo presente pelo consumo futuro mediante uma remuneração exigida por um agente (poupador) para transferir seus recursos a outro agente (tomador).

Os níveis das taxas de juros, isto é, o custo do dinheiro na economia, constitui parâmetro fundamental para a tomada de decisão negocial e para estabelecê-lo, o mercado financeiro brasileiro toma como referência as taxas expressas pelo Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC) e pela Central de Custódia e de Liquidação Financeiras de Títulos (CETIP). Trata-se de dois sistemas de custódia e liquidação de títulos fundamentais para a organização das operações de open market (compra e venda de títulos).

A taxa CETIP é também conhecida como taxa CDI-over por ter como referência os Certificados de Depósito Interbancários (CDI). Criados em 1986 pela Resolução 1102 do BACEN, estes certificados constituem atualmente o principal instrumento de funding utilizado pelas instituições financeiras brasileiras.

Portanto, os CDI´s são títulos emitidos entre os bancos para captação e aplicação de recursos entre eles, sendo títulos caracterizados pela alta liquidez e negociados por 1 dia útil (overnight). Dada a importância da taxa CDI no sistema financeiro é fácil concluir sua influência sobre as demais taxas de juros do mercado (Certificados de Depósitos Bancários  – CDB´s, Poupança, Taxa Referencial  – TR, operações de crédito, etc.).

O consumidor ainda peca na hora de realizar compras a prazo, muitos observam se o valor da prestação cabe no bolso ingnorando assim a taxa de juros que certamente estará embutida no financiamento.

Podemos definir juros como o vaçor pago pelo uso de dinheiro emprestado.

A especificação dos juros é feita por uma taxa de juros, definida como a razão entre o valor que será cobrado no fim do período e o capital inicialmente emprestado. Se os juros anuais correspondentes a uma dívida de R$ 150,00 forem de R$ 15,00, a taxa de juros será R$15,00/R$150,00 = 0,10 ou 10% ao ano. Costuma-se especificar taxas de juros anuais, trimestrais, mensais, ou diárias, já que por definição ela exige que seja explicitado o período considerado.

Juros simples e juros compostos; nos juros simples só o principal rende juros, ao longo da vida do empréstimo, já os juros compostos, após cada período, os juros são incorporados ao principal e passam, por sua vez, a render juros adicionais.

Considere-se R$ 100,00 tomados a 10% ao ano.

Nota-se que no caso de juros compostos após 4 anos os juros totalizam R$ 46,41 contra R$ 40,00 dos juros simples.

Fórmulas de juros: simbologia

i-taxa de juros por período;

n-numero de períodos;

P-principal, ou seja, recurso pelo valor do dia da transação;

M-Montatnte, ou seja, recursos a serem pagos ou recebidos no fim do período n.

3.1.) JUROS SIMPLES:

M = P(1+i.n)

Ex: Você quer tomar um emprestimo de R$ 2.000,00 por 2 meses com juros de 2% ao mês, quanto você vai pagar no final?

P=R$2.000          i=2%=0,02             n=2

M=R$2.000,00 (1+0,02×2)=R$2000,00(1,04)=2.080,00; ou seja, R$ 80,00 de juros.

3.2.) JUROS COMPOSTOS

M=P(1+i)ⁿ

Ex: Você quer tomar um emprestimo de R$ 2.000,00 por 2 meses com juros de 2% ao mês, quanto você vai pagar no final?

P=R$2.000          i=2%=0,02             n=2

M=R$2.000,00(1+0,02)²=R$2.000,00(1,0404)=R$2.080,80; ou seja, R$ 80,80 de juros.

Conforme vimos anteriormente os juros compostos tem o efeito dos juros de um periodo ser incorporado no outro que acarreta num valor maior que os juros simples. Esta formula de juros compostos é importante para entendermos e definirmos a fórmula do Valor Atual ou Valor Presente. Notemos que a fórmula do Valor Presente é a mesma que a de Juros Compostos, a diferença é que o multiplicador do P passa a ser o divisor do M.

VALOR ATUAL

P =            M

(1+i)ⁿ

Ex: Você no final de dois meses pagou R$ 2.080,80 por uma geladeira, o vendedor informou que os juros eram de 2% ao mês, qual seria o valor a vista.

P =          2.080,80         =      2.080,80     =    R$ 2.000,00

(1+0,02)²                   1,0404

Esta ultima fórmula é importante para podermos comparar o valor total das prestações com o valor a vista, se no nosso exemplo o valor a vista da geladeira fosse menor que R$ 2.000,00 significaria que a taxa de juros não é a que o vendedor informou e sim outra. Se a geladeira a vista custasse R$ 1.900,00 os juros seriam:

R$ 1.900,00  =          2.080,80

(1+i)²

(1+i)² = 2. 080,80  = 1,0952           tirando raiz quadrada de ambos os lados teriamos:

1.900,00

1+i = 1,0465                                    i=0,0465                                    i=4,65% ao mês

ou seja, a taxa de juros cobrada foi de 4.65% ao mês. Muitas das vezes o juro cobrado é maior que o juro de uma aplicação, neste caso é melhor poupar o recurso e comprar a vista.

Notamos que à medida que o financiamento tenha mais parcelas (prestações), mais complexo fica o cálculo, neste caso, precisamos utilizar uma calculadora financeira.

A mesma geladeira de R$ 2.000,00  financiada em 4 meses com juros de 2% ao mês teria uma prestação de R$ 525,25 o que daria um total de prestações de R$ 2.101,00 (R$ 525,25 x 4).

Vamos aproveitar o exemplo acima para entender melhor o valor atual de um fluxo de pagamentos. Quanto custa uma geladeira caso paguemos em 4 prestações de R$ 525,25 durante 4 meses com juros de 2% ao mês?

VP = 525,25 + 525,25 + 525,25 + 525,25
(1,02)¹ (1,02)² (1,02)³ (1,02)⁴
VP = 525,25 + 525,25 + 525,25 + 525,25
0,9804 0,9612 0,9423 0,9239
VP = 515 +            505 +            495 +             485
VP = 2.000

Utilizando a formula apresentada concluimos que o valor da geladeira a vista é de R$2.000,00.

 

  • POUPANÇA

Como vimos a poupança é a renda não consumida.

Pelo motivo de precaução é fundamental e indispensável ter uma reserva equivalente de no minimo seis meses de salário.

Especialistas recomendam investir pelo menos 10% do salário e estabelecer metas de curto, médio e longo prazo.

É preciso estabelecer metas de consumo no curto prazo (um ano), médio prazo (até 10 anos) e longo prazo (mais de dez anos). Para quem está endividado, quitar os débitos deve fazer parte da lista de prioridades.

A rentabilidade real, ou seja, descontando a inflação dos juros, estão muito baixas. Então, só há duas possibilidades de garantir um futuro tranquilo: aumentar o prazo do investimento, começando desde cedo, ou aumentar o seu volume.

Para você se aposentar mantendo o atual padrão de vida é necessário poupar 9 a 10 vezes sua renda anual.

 

 

  • PLANEJAMENTO (orçamento)

Tanto para pessoa fisica como juridica, o segredo para não se endividar é que a saida de recursos financeiros não seja maior que a entrada destes recursos, ou seja, para um assalariado, não gastar mais do que recebe.

Quatro em cada dez brasileiros não fazem nenhum tipo de controle de gastos.

Algumas dicas para organizar suas finanças:

– Faça uma lista com todas as suas despesas e coloque-as  em ordem de prioridade. Dessa forma fica mais facil ver para onde o dinheiro está indo.

– Entre os gastos supérfulos, o lazer é o primeiro ponto que pode ser revisto. Abra mão de jantar fora ou ir ao cinema todo fim de semana.

– Tente negociar suas dívidas com os credores em condições mais favoráveis, seja com juros menores ou mais parcelas.

– Priorize o pagamento de dívidas com juros mais altos, não necessariamente as de maior valor; as com taxas elevadas aumentam a dívida mais rápido.

Uma forma prática de estabelecer um controle mais efetivo é pedir a todos os integrantes da familia que listem todas as suas despesas.

Estes gastos devem ser lançados numa planilha mensal, pois esse é um tipo de controle que ajuda a planejar e identificar o que pode ser cortado para que as despesas não ultrapassem os ganhos ou para começar uma poupança.

Alem de considerar os ganhos reais, como salário líquido e eventuais ganhos, uma boa planilha deve separar as despesas em pelo menos cinco categorias:

  1. Fixas – aluguel, condominio, IPTU, IPVA, seguros, plano de saúde, etc.
  2. Variáveis imprescindiveis – contas de agua, luz, compras de supermercado,
  3. Variáveis prescindiveis – teatro, cinema, restaurante, telefone celular, academia,  clube, combustivel, viagens, assinatura de jornais e revistas, TV por assinatura,
  4. Imprevistas –  consertos, reformas, multas, medicamentos,
  5. Dividas – Parcelas de financiamentos,

Outra maneira de organizar e controlar os gastos é utilizar uma classificação conforme a planilha sugerida pela Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN) que separa positivamente as entradas (Renda familiar) e negativamente as saídas com gastos em: habitação, saúde, transporte, automóvel, despesas pessoais, lazer, catões de crédito e dependentes.

Conforme dissemos evite endividamento, mas, por exemplo, se na compra de um carro o valor de recursos disponível não é suficiente para comprar a vista e havendo então que contratar um financiamento, é importatnte ter certeza de que o financiamento caberá no seu orçamento de curto, médio e longo prazo.

Esta prestação devera consumir no máximo de 10 a 15% do orçamento. Normalmente acerca de 2% do valor do automóvel são gastos por mês com sua manutenção, o que inclui estacionamento, combustível, pedágio, seguro, IPVA, lavagem, inspeção veicular, peças de reposição, licenciamento, seguro obrigatório, inclusive depreciação. É preciso lembrar também que o carro ao sar da concessionária já perde em média 10% do valor, e perderá outros 10% a cada ano, até aproximadamente o quinto ano.

O Brasil vive um boom de consumidores de primeira viagem. Assim como os compradores de veículos não têm histórico familiar para estimar gastos com viagens, multas, etc., os compradores de smartphones e computadores não avaliam os gastos com aplicativos, softwares e uso da internet. Os problemas financeiros das famílias podem ser evitados com ajustes no estilo de vida.

 

 

Para evitar perder o controle do orçamento familiar, o consumidor deve fugir do parcelamento dos chamados gastos recorrentes, como em supermercado e farmácia.

Isso porque, como são feitas com frequência – em geral, uma ou mais vezes por mês -, podem virar uma bola de neve de dívidas se forem parcelados. Parcele apenas a compra de bens que tenham durabilidade maior que a das prestações mensais.

  • CRÉDITO (CUSTO DO DINHEIRO)

Antes de utilizar crédito temos que avaliar a melhor opção e como vão ser pagas as prestações. O crédito pode ser uma boa alavanca para construir patrimonio (ex: casa própria), mas pode arruinar nossas finanças se for usado para financiar consumo.

As linhas de créditos mais utilizadas , da mais cara á mais barata, são: cartão de crédito, cheque especial, empréstimo pessoal de financeira, juros do comércio, empréstimo pessoal de bancos, financiamento de veiculo e financiamento imobiliário.

No Quadro 2 podemos verificar em média quantas vezes a taxa de juros para pessoa física é maior em relaçao a taxa básica de juros (SELIC).

Quadro 2

É preciso levar em consideração a inflação na composição da taxa de juros. Com a inflação subindo, aumentam também os juros do crédito, tanto em instituições financeiras quanto nas de compras diretamente em lojas.

O Quadro 3 traz simulações considerando duas hipóteses de inflação, 4,5% e 6,7% ao ano. Com inflação de 4,5% ao ano consideramos juros de 2% ao mês e com inflação de 6,7% os juros são elevados para 2,17%.

O mesmo empréstimo parcelado em 12 vezes teria um valor final com inflação de 6,7% majorado em R$ 11,05, comparado com o valor final com uma inflação de 4,5%.

Nestes casos a recomendação é poupar antes de comprar, ou seja, juntar mensalmente o mesmo valor que pagaria uma parcela. Se a compra for inadiável, é preciso ter certeza que os juros são pré-fixados, isto é, não vão subir ao longo do tempo.

Quadro 3

O Sistema de Consórcios é também uma modalidade de crédito que permite o acesso ao mercado de consumo baseado na união de pessoas físicas ou jurídicas, em grupo fechado, cuja finalidade é formar poupança comum destinada à aquisição de bens móveis, automóveis e serviços, por meio de autofinanciamento.

Os consorciados, também conhecidos por cotistas, contribuem com parcela destinada à formação de poupança comum. Todos os participantes do grupo têm assegurado o direito de utilizar essa poupança para a aquisição de bem ou serviço, de acordo com as regras previstas no contrato do grupo. Ou seja, as contribuições pagas ao grupo destinam-se, periodicamente, a contemplar seus integrantes com crédito que será destinado à compra de bem ou aquisição de serviço.

O prazo de duração do grupo é o período de tempo que o consorciado dispõe para o pagamento do crédito contratado. Esse prazo será prefixado pela administradora e constará obrigatoriamente de contrato.

Se você não precisa de imediato de um determinado bem ou serviço e se puder aplicar parte de sua renda, aquela que não será utilizada como despesa, você tem o perfil de um poupador e, portanto, de um consorciado.

COMO ESCOLHER O CRÉDITO

Cartão de crédito – Evite o rotativo do cartão. Caso perceba que gastou mais do que pode na fatura, contrate um empréstimo pessoal para pagar a divida, pois sai mais barato.

Cheque especial – Use apenas em emergências, como doença familiar. Não fique mais de três dias no cheque especial.

Crédito pessoal – Indicado em casos de descontrole financeiro e para substituir dívidas mais caras, como no cartão de crédito ou cheque especial.

Crédito consignado – Melhor opção de todas, com uma das menores taxas de juros do mercado, porém é preciso que a organização empregadora tenha convênio com bancos.

COMO RENEGOCIAR SUA DÍVIDA.

Faça um diagnóstico da sua dívida – Verifique a modalidade do crédito. Identifique quantos e quais são os credores. Calcule o valor total do saldo devedor.

Pesquise opções baratas – Consulte bancos sobre juros menores. Se as dívidas foram feitas na mesma instituição, negocie em conjunto para obter melhores condições.

Calcule quanto custa seu débito – Verifique a taxa de juros cobrada. Pague primeiro as dividas mais caras (juro maior) e não necessáriamente as mais altas.

Faça uma proposta ao credor – Apresente propostas obtidas em outras instituições e tente negociar com aquela que detem o débito. Exija propostas por escrito

 

  • CALCULANDO A RIQUEZA

Vamos definir a riqueza como sendo a diferença entre seus bens (ativo), imóveis, carros, poupanças, etc, e as dividas (passivo), ou seja, o que se deve de empréstimos e financiamentos de veículos, imobiliário, etc.. No exemplo abaixo o patrimonio líquido é constituido de um imóvel de R$ 500 mil mais 2 automóveis que valem R$ 100 mil, menos uma divida do imóvel de R$ 200 mil, isto resulta o valor de R$ 400 mil de patrimonio liquido.

Este patrimonio é muito ou é pouco? Depende, se foi construido ao longo de 10 anos com uma renda mensal de R$ 10 mil que multiplicado por 120 meses (10 anos), chega a R$ 1,2 milhão, o patrimonio corresponde a 33% (R$400mil/R$1,2milhões) de todo o dinheiro ganho, o que é bastante razoável já que teoricamente, se aceita como premissa uma reserva de 30% da renda. Este percentual de poupança (investimento) pode também ser considerado bom a nivel brasileiro.

Resumidamente para ter uma vida financeira saudável lembrea de seguir os seguintes passos:

  1. Realizar um diagnóstico financeiro e atualiza-lo periodicamente;
  2. Estabelecer metas de curto, médio e longo prazos;
  3. Distinguir o que é gasto essencial e supérfluo;
  4. Elaborar uma Planilha de Orçamento Financeiro mensal, para períodos superiores a um ano;
  5. Gastar menos do que ganha;
  6. Poupar mensalmente parte do que ganha;
  7. Manter reservas para situações emergenciais;
  8. Não usar cheque especial e cartão de crédito como fontes de financiamento;
  9. Comprar sempre à vista e com desconto;

ONDE INVESTIR

Não importa quanto você ganha, mas quanto você guarda. Então, mesmo que você não tenha salário tão alto quanto gostaria,  pode abrir mão de uma parte dele todos os meses para investir. Se você conseguir economizar R$ 5,00 por dia terá R$ 1.825,00 no final do ano. Para isso, basta cortar o cafezinho depois do almoço, por exemplo.

Escolher a aplicação mais adequada para cada perfil é fundamental. A dica é apostar na renda fixa em valores mais baixos e só se arriscar na renda variável quando a quantia já for suficiente para diversificar os investimentos. O ideal é definir de antemão o prazo do investimento e os objetivos, como: segurança, viajem, compra de um bem, aposentadoria, etc..

A aplicação mais conservadora é a caderneta de poupança, garante liquidez caso for preciso e é isenta de Imposto de Renda (IR). Nos fundos de renda fixa, CDBs,  e no Tesouro Direto, há uma tabela regressiva – quanto maior o tempo de resgate, menor a alíquota cobrada sobre o rendimento (vide Tabela 1).

Previdência privada é também opção de poupança. A aplicação em PGBL (Plano Gerador de Benfício Livre) é indicada para o contribuinte que faz a declaração do Imposto de Renda (IR) no modelo completo, porque permite abater até 12% da renda bruta anual tributável. Quando começar a receber, no futuro, pagará Imposto de Renda sobre o valor recebido a cada mês.

O contribuinte que usa o modelo simplificado deve optar por investir em plano VGBL (Vida Gerador De benefício Livre), que não permite deduzir nada na declaração. Por não poder abater nada na declaração, quando receber o benefício o contribuinte pagará Imposto de Renda apenas sobre o rendimento obtido.

Há duas formas de tributação sobre a previdência privada: progressiva e regressiva. Feita a escolha, a tributação é definitiva, não podendo mais ser alterada. Quem opta pela tributação progressiva pagará 15% sobre os benefícios mensais recebidos na fonte, sendo que o restante deve ser ajustado na declaração anual do Imposto de Renda (IR). Já a declaração regressiva leva em conta o tempo em que os recursos forram acumulados pelo contribuinte. Assim, quanto maior o tempo de acumulação, menor a alíquota – a maior é de 35% (aplicação até dois anos), caindo 5% a cada dois anos; a partir de dez anos, a aliquota é de 10%.

Normalmente os fundos cobram taxa de administração e muitas vezes taxa de carregamento o que acarreta um rendimento menor  do que se você fizesse sua própria poupança. Uma opção é aplicar diretamente no Tesouro Direto.

O Tesouro Direto tem prazos de vencimento longos (até 2045) é recomendavel que tenha um prazo de vencimento próximo à sua aposentadoria. Você pode escolher titulos prefixados, cuja rentabilidade é definida no momento da compra, ou pós fixados, com rentabilidade vinculada à variação de um indexador (Selic ou inflação). Não incide taxa de administração cobrada pelos fundos.

 

Abaixo temos o Quadro 4 que resume as principais modalidades de investimentos.

 

  • A QUESTÃO INTERTEMPORAL

O tempo é fundamental na acumulação de capital.  Caso você queira se aposentar com 65 anos de idade quanto antes você começar a formar seu investimento melhor é.

A seguida apresentarmos um exemplo numerico da nececidade de investimento dependendo da idade que você incia seu investimento.

Inicialmente vamos prever a taxa de juros a ser aplicada no investimento: se considerarmos uma taxa Selic de 9,5% ao ano e uma inflação de 6% ao ano a taxa de juros real será de aproximadamente 3,5% ao ano. Utilizando esta taxa real de juros e caso você comece a investir com 25 anos de idade, pelo periodo de 40 anos, você  terá acumulado no final do periodo cerca R$ 850 mil. Nota-se que para acumular este montante neste período, a esta taxa, você precisou investir 20% de sua renda.

Caso você comece a investir com 35 anos, para ter o mesmo montante de R$ 850 mil você precisa investir 33% de sua renda. Se você iniciar a investir aos 55 anos, mesmo você poupando 100% de sua renda, você não consegue acumular o mesmo montante mas sim R$ 585 mil.

O valor de R$ 850 mil aplicado pela mesma taxa de juro real, ou seja,  3,5% ao ano,  permitirão você retirar os mesmos R$4.159,00 por mês durante 30 anos, ou seja, até os seus 95 anos de idade.

Quanto antes você começar a investir  menor  será o percentual necessário de sua renda  destinado para iste fim.

Aproveitando o tema da aposentadoria não podemos esquecer da Previdência Social, a contribuição para o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).

O exemplo numerico apresentado esta baseado no teto de aposentadeoria que atualmente é de R$ 4.149,00. A aposentadoria por tempo de contribuição está condicionada ao atendimento por parte do segurado, de dois requisitos, a saber:

  1. 35 anos de contribuição, se homem e 30 anos de contribuição, se mulher;
  2. Carência de 180 contibuições mensais no mínimo.

O governo instituiu outras regras como um tempo adicional de contribuição que a grosso modo: para você alcançar 100% do beneficio (R$4.149,00) é necessário trabalhar alguns anos a mais. O cálculo do beneficio é feito tomando-se a média aritmética somente dos maiores salários de contribuição correspondentes a 80% de todo o período contributivo.

Caso você espere receber após a aposentadoria uma renda mensal em torno de R$ 4 mil, o pagamento ao INSS é extremamente atraente pois além do recebimento mensal, você recebe décimo terceiro, além de poder contar com auxilio doença, auxilio acidente e outros beneficios.

Tudo leva a crer que a queda dos juros reais deverá se manter, cabe lembrar que já tivemos juros reais de mais de 10% (junho de 2002), o juro (taxa Selic) era de 26,5% e a inflação de 16,5%  em média.

 

  • EVITANDO O RISCO

O ideal é sempre que possivel diversificar os investimentos, aplicando um percentual  para o fim de precaução para atender emergências; outro percentual em investimentos de médio prazo e o restante em investimentos de longo prazo.

Caso queira investir  no mercado de ações, é bom se aconselhar com um especialista e montar uma carteira visando o longo prazo. Faça isto quando você tiver pouca idade, pois o mercado acionário é muito volátil e exige muito profissionalismo. Se você tiver uma perda com a idade mais avançada pode ser que você não tenha tempo suficiente para recuperar o investimento.

Apresentamos a seguir uma sugestão de diversificação dependendo de sua idade.

A diversificação depende muito do perfil de risco de cada indivíduo,  podendo ser  arrojado, moderado ou conservador conforme  caracteristicas e objetivos descritos no quadro a seguir:

Economia comportamental – Gestão de Gastos Pessoais