Existem várias definições para a taxa de juros mas nosso intuito aqui é verificar quais são os efeitos gerados pela sua magnitude.

A taxa de juros pode sensibilizar a demanda agregada por diversos canais, a saber: i) crédito, ii) riqueza, iii) taxa de mercado, iv) taxa de câmbio e v) expectativas inflacionárias.

i) A alteração na taxa de juros básica é transmitida às taxas de juros prevalecentes no mercado de crédito. Constata-se que as operações bancárias, no segmento de pessoas jurídicas, praticadas no Brasil podem ser classificadas como sendo de curto prazo. Isto leva a crer que as instituições bancárias expressam sua maior preferência pela liquidez, dirigindo suas aplicações para ativos mais líquidos. Deste modo, os bancos procuraram reduzir o prazo médio de seus ativos e adotar uma posição mais líquida, através da manutenção de reservas excedentes na compra de papéis do governo, diminuindo os empréstimos de mais longo prazo; em outras palavras, as instituições bancárias captam e aplicam recursos no curto prazo. Diante da inexistência de poupanças de maior maturidade em volume suficiente para atender às necessidades de investimentos da economia, os agentes tomadores vêm sendo abastecidos com recursos oficiais subsidiados em relação às taxas de juros livremente formadas no mercado. A intervenção governamental na economia eventualmente é justificável pela presença de falhas de mercado.

ii) O efeito riqueza ocorre quando um aumento da taxa de juros provoca a redução no valor de mercado do estoque de riqueza e vice-versa. As taxas de desconto que trazem o fluxo ao seu valor presente, deprime o preço do ativo e, assim, empobrece seu detentor.

Se o consumo depender do estoque de riqueza e a dívida pública for percebida como riqueza pelos indivíduos, o aumento da taxa de juros provocará queda no valor dos títulos, e, portanto, da riqueza, gerando uma contração no consumo.

iii) As taxas de juros de mercado passam pela suposição de existência de uma estrutura a termo da taxa de juros (ETTJ) bem definida. Existe uma curva de rendimento entre taxas de juros de diferentes maturidades. A instabilidade de preços que marca a história do Brasil não permite aos agentes econômicos projetar taxas de juros com prazos longos. Mesmo atualmente como a aplicação de longo prazo é pífia, os agentes financeiros dificilmente descasam suas operações.

iv) A taxa de câmbio mostra-se importante em economias mais abertas, com taxa de câmbio flutuante e livre movimentação de capitais, produz alterações nas exportações líquidas via alterações nos preços dos “tradables”.

A movimentação internacional de capitais, estimulada pelo diferencial de juros, tende a rebater na taxa nominal de câmbio e, ao menos no curto prazo, na taxa real de câmbio, importante determinante das exportações líquidas de um país.

v) As expectativas de inflação possuem papel importante na determinação da dinâmica inflacionária. De fato, as expectativas de inflação atuam sobre o processo de formação de preços de três formas distintas: (a) diretamente, por intermédio de sua incorporação aos preços de produtos e serviços; (b) via salários, pela sua incorporação aos salários nominais, que representam importante item de custo para as empresas; (c) indiretamente, porque alteram a taxa real de juros.

Na teoria clássica os montantes de poupança e investimento provindos de um nível de renda de pleno emprego são encarados como função da taxa de juros.

A persistência de uma taxa de juros real alta seria decorrente da baixa propensão a poupar da sociedade brasileira.

Assim a elevada taxa de impaciência do brasileiro seria a causa da alta taxa de juros. Apenas taxas exorbitantes de juros seriam capazes de fazer o cidadão brasileiro adiar o consumo presente.

No decorrer dos últimos anos a poupança doméstica, composta pelo setor privado (taxa média de 18 % do PIB) e setor público –  com taxas negativas nos últimos 10 anos em torno de 2% a.a. do PIB –  tem sido insuficiente para financiar os investimentos realizados (taxa média de 20% a.a. do PIB), esta diferença vem sendo coberta pela poupança externa.

Para atrair a poupança externa o investidor externo aplica em países que remunerem sua taxa de juros real doméstica mais um prêmio de risco de default soberano e um prêmio de risco da variação da taxa de câmbio, para países nos quais prevalece o regime de câmbio flutuante.

É preciso notar que mesmo com a entrada de poupança externa está não garante o montante suficiente para a necessidade de investimento e a variável que torna o possível equilíbrio passa ser a taxa de câmbio e não mais a taxa de juros.

As consequências de uma taxa de câmbio apreciada já a conhecemos, tem um potencial de corroer a competitividade de produtos brasileiros.

Resumindo o canal do câmbio, ao meu ver, é principal condutor para atrair a necessidade de poupança externa. Enquanto não houver um ensinamento de finanças pessoais para alterar o comportamento das pessoas em relação a consumir menos e poupar mais este problema persistirá. Um exemplo que isto é possível basta verificar uma das últimas medidas do governo em relação a não parcelar dividas no cartão de crédito após 30 dias.

Respondendo à pergunta do título deste artigo a taxa de juros pode chegar até o somatório da taxa de juros real do pais financiador mais um prêmio de risco de default soberano e um prêmio de risco da variação da taxa de câmbio. Tomando um investidor americano e seguindo a ordem dos riscos teríamos linearmente: 2%+2%+4,5%=8,5% a.a.. Se persistir o cenário atual com queda do risco Brasil abre-se espaço para redução mais rápida dos juros.

 

ATÉ ONDE PODE CHEGAR A TAXA DE JUROS?